01 - OCEANO DE XISTO



01

Madalena ficou pálida mas contente com o que viu. O seu pequeno filho poeta tinha voltado a escapar-se para cima do telhado da casa em frente. Era hábito fugir assim de casa, duas ou três vezes por semana, o raio do miúdo, e ela lembrava-lhe sempre que o pai tinha o cinto preparado atrás da porta. De nada valiam os avisos pois o rapazito continuava a desenhar as fugas  para melhor rachar os temores e afastar os espíritos malévolos que lhe atormentavam o crescimento. No topo dos telhados da aldeia ensaiava melodias, até o dia nascer, e depois invocava os espíritos das manhãs. Aprendeu isso muito cedo com a irmã Marília, bem mais atrevida e ágil do que ele, com o sangue selvagem a correr-lhe nas veias e na memória. A rapariga tinha por hábito fugir de casa, a galope, depois trepava pelas paredes e telhados, a gritar como um bicho-de-mato, e saltava para o chão para se embrenhar nos pinhais onde passava as madrugadas. Não havia mato nas redondezas da aldeia que ela não conhecesse, nem serrania que ficasse por explorar. O que o menino poeta queria era ser como ela, desejava não ter medo de se perder nesses matos, nesses pinhais e florestas, queria deixar de ter medo de morrer, de ser pequeno e medroso, queria deixar de ter medo de ser, e de um dia já não ser.
Os dois tinham saído de casa naquela noite, por motivos diferentes, e Madalena aproveitou…
- Beija-me, Raúl! Acorda! Os miúdos voltaram a esconder-se… acorda, ama-me, não quero mais sentir-me assim sozinha e perdida, estou cansada, tão farta de tratar de ti, dos miúdos, dos animais, da terra, … estou cansada, sonhei de novo que estavas dentro de mim. É tão cansativo o peso deste céu sem fim. Não te atrevas a fazer de conta que não me escutas, homem, não te atrevas a ressonar, volta… volta imediatamente para dentro de mim!
O homem cavalo obedeceu-lhe, como se uma matilha de lobos o tivesse cercado sem piedade. O pastor de mais de cem ovelhas ainda as orientava no caminho quando o corpo de Madalena sentiu Raúl dentro de si.
- Eu sabia! Regressaste a mim antes do dia acordar, não te atrevas a regressar depois do dia acordar, só depois do sol se despedir! Ama-me sempre de madrugada, homem, como um cavalo selvagem à solta na pradaria, e o gado todo a ver-nos nestes preparos. Ama-me! Assinala dentro de mim o lugar de onde nunca partirás, Raúl… beija-me… cala-te… porque é tão difícil conseguires amar-me em silêncio?
Os lobos rondavam a aldeia, e o rebanho tinha finalmente atravessado a rua em frente à casa filtrando todos os barulhos que ali dentro se espremiam.
- Arranca-me a pele, Raúl! Pendura-me no alto da tua árvore, não pares… não pares…não pares… não pares … Não.., NÃo…NÃO!!!!!!!!!!!!!! 
Os gritos de Madalena galgaram o presente até ao passado. A lareira tremeluzia na sala e o marido amante calou-se de cansaço, sem nunca ter proferido uma única palavra, e sem outras coisas para dizer, repetiu tudo o que lhe tinha feito, ainda mais embrutecido, e o que os dois repetiram, voltaram a fazer, e amaram-se impiedosamente, uma loucura a dois desejada assim, perdida e reencontrada, poderosa e venenosa como só o amor pode ser.
Saltou Madalena, saltou Raúl, num leito desfeito e demente, doce, retemperador.
- Que mais queres tu, mulher… é meu, o teu corpo bendito e doce em que me derreto. Em ti acrescento o veneno da serpente e a demência ao nascer de mais um dia. A cegueira arruinou-me, mas não os outros sentidos, arranco os olhos para melhor te ver … que mais queres tu de mim, mulher?
Os amantes beijaram-se, e mostraram um ao outro por onde se tinham amado. Mal deram conta que um mocho sábio de olhos vermelhos espreitara tudo o que ali se tinha passado através do vidro embaciado da janela do quarto. O animal voou, sempre a piar, galgou veloz do passado ao presente, mas sem o impedir de se afirmar.
O ser alienígena observou tudo o que ali se passou antes de regressar ao passado. Os seus olhos ficaram pretos, de um negro intenso feito de vidro, onde as palavras dos amantes ainda cintilavam, e foi assim que conseguiu acionar a máquina de teletransporte. As instruções para a viagem iluminaram um ecrã e o coração do pássaro bateu com mais vigor. O mocho desapareceu num instante, viajou sem dificuldade entre os dois tempos com uma rapidez estonteante.
Madalena e Raúl permaneceram horas aconchegados no soalho antes de o dia acordar. Estaria ela tão louca quanto imaginava, ali espalhada no chão, escondida do mundo. A respiração dos amantes manteve-se ofegante e agitada, igual ao ritmo de seus corações.
Raúl foi o primeiro a mexer-se, sentou-se no chão, meio incrédulo, de pernas cruzadas, a observar o corpo desnudado da mulher, que tinha sentido a presença do animal:
- O mocho foi-se embora, Raúl, voou silenciosamente por cima da nossa casa enquanto descansávamos. Deste conta do pássaro? Reparaste como o seu olhar era intenso e vermelho?

*

Foi a irmã Marília quem deu início àquela espécie de jogo das escondidas, e ele teve medo quando isso aconteceu. Não reagiu, não foi capaz de ir atrás dela, ficou toda a noite acordado para tentar entender o que estava a acontecer.
Ela fugia, incansável, de um tempo para outro, acreditava nas respostas que a natureza lhe facultava, nas sentenças dos bichos, jamais na dos homens. O presente foi o tempo onde o menino poeta quis saber para onde ela desaparecia, tal e qual um gato esquivo aliado da noite. Jamais a conseguiu encontrar.
Passou o resto das noites da sua infância a caminhar pelos telhados, de pés descalços e feridos, tão felino quanto ela tinha sido, sempre esperançoso em a vislumbrar.
- Onde estás tu, Marília? Porque fugiste de mim? Marília… MARÍLIA!
O menino poeta cansou-se de chamar pela irmã. Foi até à entrada dos bosques, e arrependeu-se por nunca ter sido capaz de neles entrar.
- Medroso! Puto medroso! – responderam-lhe as corujas e os morcegos, ao passar perto da sua cabeça em voos errantes. Aquelas rápidas mudanças de direção apressaram-lhe a fuga para os telhados. Era de lá de cima que o menino julgava ser possível ver Marília regressar, ou pelo menos assim ele achava.
No cimo dos telhados o tempo passava de mansinho.
No cimo dos telhados as lágrimas caíam mais devagarinho…
E o luar alabastrino parecia-lhe tão ou mais perdido do que ele.


Entre os tempos, as viagens praticam-se em solidão.
É sempre mais complicado regressar ao “agora”. Do alto do seu telhado o menino poeta agarrou-se às telhas enquanto era projetado no vazio. Os dedinhos frágeis ganharam a espessura original, as mãos, depois os braços, as pernas, o tronco e a cabeça adquiriram o tamanho e peso originais, e o poeta voltou a estar aprisionado no corpo menos concentrado do “agora”, lançado sem piedade de regresso ao tempo posterior, apenas com a proteção de uma hedionda máscara antiga que mal lhe servia na cabeça e que não o protegeu dos gases tóxicos da viagem. Sem máscara, respirou o ar antigo do “antes” desejado, pela primeira vez, sem saber que o não fazia pela primeira vez, e ficou atordoado ao existir nesse seu passado presente. Ali reencontrou as paisagens desconhecidas de quando ainda não tinha feito amizade com os ventos, as marés e as tempestades. Perdeu-se entre os tempos sem saber o que fazer.

A luz da lua iluminava aquele lugar sombrio onde se abrigou, e ele manteve-se assim, dissimulado numa espécie de miragem, uma quase não imagem sua perdida no tempo. Quando os medos o atormentavam, a sua sombra de menino poeta tocava-lhe uma fantástica sinfonia num violino meio desafinado, com um arco invisível, procurando assim devolver-lhe serenidade. Selecionada a bela melodia, era com ela que fechava as portas ao temor. Depois a sombra continuava pela noite fora a trautear a canção, sem grandes desafinações, respeitando quase sempre o instrumento e a partitura.
Foi isso que aconteceu naquela noite em que, pela primeira vez,  compreendeu que a sua vida era tão finita como outra vida qualquer. Essa consciência atingiu-o como um relâmpago aparecido do nada. O corpo tremeu, e depois ficou hirto durante uma pequena eternidade. Os olhos humedecidos expulsaram milhares de lágrimas até que tudo deixou de fazer sentido. O medo estava a cantar vitória, tal era o peso da evidência.
Uma chuva fria, muito miudinha, começou a cair após o poeta ter apagado a última lágrima do rosto. Um oceano de negrume afastava-o do chão onde o granito era senhor e a chuva abençoava o rebanho de ovelhas do pastor ensonado. Os animais não lhe ligaram nenhuma, nem o homem, nem a chuva miudinha, nem a lua, nem tão-pouco a sua luminosidade singela. Algumas galinhas cacarejavam talvez com receio de serem trucidadas pelas pernas ligeiras das ovelhas que nelas tropeçavam ao avançar.
Um céu ainda mais escuro voltou a devolver-lhe “o antes” sem que ele se tivesse apercebido. Estava frio, a noite não convidava ao passeio mas crescer era tão difícil, tão complicado. Ninguém lhe conseguia explicar a razão e a causa das coisas, e o menino poeta passava outra noite sem dormir, entretido a esboroar a parede de caliça do quarto, com os seus dedos finos, até o xisto escuro ficar à mostra. A poeira amontoava-se no soalho de madeira num pequeno monte esbranquiçado, e um buraco crescia na parede na mesma proporção dos seus medos e angústias. O rapaz teve noção da sua mortalidade pela primeira vez, e como lhe custou pensar na morte em idade tão precoce, e como isso o afetou…
A parede negra de xisto não parava de crescer.
Naquele lugar, àquela hora, o poeta ficou a saber que a imortalidade não passa de uma ilusão de ótica, e que é insuportável tentar entender a lógica dos impossíveis. Tentou encontrar razões naquele vazio feito de pedra que ali estendeu à sua frente e onde estampou o céu. Estava tapado por um lençol de flanela às riscas, coberto por uma manta pesada que o sufocava e picava mais do que um colchão de faquir.
A semente estava lançada, o processo tinha sido iniciado, e ele correu para fora dali, para a rua escura onde se refugiou, correu para fora da cama, para fora do quarto, para fora do corredor, para fora da sala, para fora de casa, correu para cima do primeiro telhado amigo que encontrou. Estava frio, o céu muito escuro, a noite não convidava ao passeio, … crescer é tão difícil, tão complicado.

*

O poeta descreve a sua loucura ao mar, ao céu, à terra, únicos refúgios que consegue entender. Vampiro de palavras ufanas, desenhador solitário de silêncios, abraça a forma indecisa e despida do rochedo que à sua frente dá o corpo às marés. Ali, naquele crepúsculo desnudado, lança aos ventos raivas, ironias, sofrimentos, desilusões, ali vende a alma ao demónio num ritual antigo, já quase esquecido, e o diabo adocica-lhe o sangue, seca-lhe a preguiça para que as mãos cansadas recomecem a trabalhar, porque estar morto é ficar parado à espera de acontecer, numa vã glória de existir.
O vento limpa a neblina entre os dois tempos, lá no alto, onde as gaivotas voam sobre as ondas agitadas que o poeta gosta de cavalgar.
- Sobreviver é escrever o inimaginável matando a insignificância do absurdo.
Parado, sabe que ali se ampliam os sons da natureza antes do sol nascer, atrás de si, onde o Este mora, ali, naquela precisa elevação de terreno por cultivar onde tanto gosta de se abandonar. O poeta sorri, e a sorrir despe os silêncios acontecidos antes da luz do dia se atiçar, amarelada e alaranjada. De olhos fechados deseja regressar ao passado, deseja ser “o antes” mais uma vez, tal como nas anteriores vinte madrugadas em que ele ali se plantou.
Viajar no tempo, regressar ao passado, é uma vontade que há muito o atormenta, mas ao invés de a contrariar, alimenta-a como se fosse uma criança mimada. Ali se planta ele, dia após dia, praticando um ritual absurdo criado pela sua imaginação. Esquece-se do corpo durante horas, transfigurado em árvore seminua, sem ramos nem folhagens, apenas tronco e raízes-pés a sintonizarem as energias invisíveis da natureza e todas as forças ocultas que o possam desmaterializar no presente para o materializarem naquele passado que tanto gostaria de revisitar.
O passado volta a convidá-lo, e ele é incapaz de recusar o convite.
Uma loucura genuína assentou arraiais na alma errante do poeta. O juízo foi-se esfumando e uma primeira forma de loucura alicerçou-lhe o espírito com sapatas de chumbo e de betão. Agora só pensa em viajar no tempo, em regressar ao antigamente, ao já acontecido, quer voltar a sentir os ritmos lentos escondidos nas memórias antigas.
Lá em baixo o vale estende-se entre duas aldeias, a dos avós e a que fica junto à curva da estrada principal que dá acesso ao coração da serra. Aquele terreno escarpado não convida à aventura. O poeta, quando jovem, preferia entreter-se a subir e a saltar de telhado em telhado, como os gatos vadios, lascando e partindo as placas de ardósia que os cobriam, e que tantas vezes lhe causaram ferimentos e cortes profundos nos seus pés pequenos e esguios. Aqueles lugares existiram, e agora não existem, e agora já existem outra vez, porque o poeta lá viveu.

O que antes habitara no lado mais profundo do seu esquecimento começou a mudar de cor quando o poeta conseguiu viajar no tempo pela primeira vez. Foi de olhos semicerrados que assistiu ao primeiro instante da sua desmaterialização, e foi tudo tão rápido e natural. Ninguém o viu desaparecer, e ninguém o viu surgir, meio perdido, no meio daquele silêncio embrutecido.
O poeta regressou, finalmente, ao mundo doce e quente do passado que queria revisitar. Depressa voltou a escutar o que conhecia, depressa o sangue voltou a fervilhar nas suas veias minúsculas. O líquido viscoso assumiu o controlo total das suas vísceras, os braços e as pernas, outrora dormentes, voltaram a tornar-se vigilantes e ativos. O viajante do tempo identificou uma lua vigilante, assim como muitos aromas e odores familiares. Compreendeu as mesmas ravinas de sempre mimetizadas na paisagem e os mesmos lugares onde tinha por hábito esconder-se para inventar longas histórias. Deitou-se para descansar da extraordinária transmutação. Ficou ausente durante o processo, adormecido, terá talvez sonhado, até que todas as células se alinharam para ensaiar fases inteiras de desconstrução que logo mudaram para outras fases inteiras de corporalização.
O extraordinário bailado ensaiado pelo poeta no mais improvável olival, derrotou os silêncios do lugar fazendo estremecer a terra, o mar e o céu, que lhe devolveram “o antes” que ele tanto ambicionara. O seu corpo chegou da viagem à tardinha, frio e bronzeado, com as forças revigoradas, numa festa de sentidos capaz de lhe rejuvenescer a alma. A terra onde aterrou de costas estava húmida e perfumada, e o seu corpo ficou moldado nesse chão ao lado da mais pequena oliveira da propriedade.

*

O poeta vestia umas calças largas de fazenda cinzenta, presas por uns suspensórios beges, muito deselegantes, por cima de uma camisa branca saturada de suor. Uma barba de semana e meia povoava-lhe o queixo proeminente e retilíneo, a cara pálida, de ar sério e circunspeto, sentia o regresso do frio ao rosto cansado, e o marulhar das ondas, cada vez mais intenso e circular, fazia estremecer as memórias. Uns óculos antigos descansavam na ponta do seu longo nariz monárquico, e com uma posse quase enlouquecida, era com eles que observava a deslumbrante geometria da paisagem.
O poeta viu um instante afogar-se junto à linha do horizonte, lá bem ao fundo onde pairavam nuvens negras capazes de arrancar árvores inteiras pela raiz. Os instantes não se afogam, mas ele achava que sim.
- Os instantes, talvez todos os instantes, mais não são que meras árvores frágeis e efémeras a balbuciar verdades com palavras etéreas acabadas de dar à costa. O que devemos fazer, assim que as ondas rebentam, é ir resgatá-los junto às encostas recortadas onde hoje resolvi aventurar-me.
A loucura sempre a crescer nele, devagarinho.
A imperatriz cruel começou a apertar-lhe o corpo franzino com poderosas tenazes invisíveis. A dor intensificou-se e bem cedo o poeta cedeu às suas ordens e intransigência. Naquele dia resolveu descer as escarpas perigosíssimas da falésia junto à costa e nada mais importava. Obedecendo-lhe, seguiu para o lugar mais escuro e escorregadio. Parar estava fora de questão.
O vento soprava cada vez mais forte e a chuva começou a cair com intensidade. As pernas magras fraquejavam, os olhos mal conseguiam ver através das lentes molhadas, mas o corpo encharcado era incapaz de desobedecer a esta atitude destemperada.
O poeta desapareceu no escuro, junto ao rochedo afiado, perto das ondas e da espuma. Após alguns segundos um grito medonho ecoou na obscuridade, foi ele quem gritou, e como parecia assustado e enlouquecido.

Naquele curto instante, bradou aos mares as verdades consagradas nas palavras etéreas que lá em baixo se aventurou a resgatar, junto às ondas, à hora da maré alta. Ali se agigantou a força tremenda da sua loucura. Caminhou descalço sobre a água e a espuma, caminhou por cima da terra húmida onde enterrou os pés até aos tornozelos, e depois parou. Permaneceu assim, imóvel, a sentir-se árvore numa parcela pequena de terreno, um olival que herdara dos avós e dos pais, logo ele que nada entendia de agricultura.

Uma nuvem de espuma branca, muito densa, surgiu de repente, vinda do nada, e cobriu o olival inteiro pelas oito da manhã. O poeta desapareceu no meio dela. Estava de olhos fechados, algo entorpecido, quando a nuvem o levou. Desvaneceu-se deixando apenas as marcas profundas dos seus pés gravadas na terra húmida que tinha aberto de madrugada. Ali ficou assinalada, com detalhe, a sua presença, assim se soube que ali alguém estivera a alimentar estranhos vícios de criança mimada.
O instante foi resgatado às ondas do mar no meio da espessa neblina, e as imagens longínquas de tudo aquilo que foi "o antes", foram sentidas por ele como sangue salgado e ferrosos a correr-lhe nas veias mais apertadas do corpo exausto de tanto pensar. O poeta deixou de resgatar instantes no fundo da falésia após a onda mais alta do mar revolto o ter lançado ao ar. O lugar onde se entretinha a colher segredos ao oceano foi invadido por um  súbito silêncio.

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